|  |  Há menos de um segundo, a sua mão moveu-se, o seu dedo indicador pressionou um botão e os seus ouvidos captaram o som de um leve clique. Mas o registo destas acções no seu cérebro é quase insignificante, tão concentrado que está em interpretar o ecrã, a janela, o texto, esta frase, esta mesma palavra. É um processo completamente automático e subconsciente, o exemplo supremo da moderna fusão digital entre homem e máquina. Parabéns, damos-lhe as boas-vindas ao futuro germinado há quase 80 anos no espírito de um autêntico visionário. UM GUIA PARA A MODERNIDADE Em 1932, nomeado vice-presidente e reitor do departamento de engenharia do MIT, Vannevar Bush entrava no auge da sua carreira. A profunda dedicação pelo seu trabalho apenas tinha paralelo na paixão pela fotografia, exacerbada pela ressurgência de popularidade do microfilme. Bush tinha em mente um projecto de gestão de informação e conhecimento humano à escala planetária, uma visão em contraste colossal com a simplicidade do mecanismo de controlo proposto: apenas uma secretária com visores de documentos interactivos. O microfilme era a chave desta visão prodigiosa, denominada Memex, que Bush daria a conhecer ao mundo cerca de dez anos depois num texto basilar da história tecnológica moderna. Os conceitos ilustrados no ensaio de Bush eram tão avançados que só décadas mais tarde, com a World Wide Web, se tornariam realidade. Mas já nos anos 60, as suas palavras inspiravam o génio de outros pioneiros, sobretudo quanto à interacção entre utilizador e computador. Douglas Engelbart era um deles e via na manipulação visual directa de informação electrónica o fulcro da sociedade moderna. A "interface gráfica de janelas" do seu sistema NLS já incluía texto, linhas, formas geométricas e um cursor controlado pelo protótipo de um rato. Juntamente com outros projectos paralelos, como o SketchPad, concebido pelo visionário Ivan Sutherland, estavam lançadas as fundações da GUI. QUANTO CUSTAM OS OLHOS DA CARA? Bem mais do que o mercado da informática dos anos 70 estava disposto a comportar para dar um novo rosto aos computadores; a tecnologia das GUI espantava, mas o preço arrepiava. Nem a extraordinária evolução gráfica propiciada pelo Xerox Alto, já incluindo um ambiente de trabalho com janelas redimensionáveis, menus contextuais, ícones individualizados e pastas hierárquicas, aliciava a indústria, mas este projecto da Xerox cativou de imediato o enorme espírito de oportunidade de Steve Jobs para a sua recém-fundada Apple. Foi em 1983, no modelo Lisa da Apple, que pela primeira vez num computador comercial surgiram a barra de menus, o caixote do lixo, o duplo clique para abrir ficheiros e a possibilidade de arrastar elementos no ecrã, conceitos posteriormente ainda mais popularizados com o lançamento do Macintosh. Nos anos seguintes, o Workbench, do Commodore Amiga, traria ao mercado a noção de múltiplos ecrãs simultâneos, enquanto que o Arthur, do Acorn Archimedes, inauguraria a utilização de barras de tarefas fixas para lançar os programas mais comuns. Pouco depois, o Windows 95 propagou o botão Iniciar por todo o mercado informático. SIMBIOSE PERFEITA Hoje, apesar da constante evolução estética e funcional das GUI, o seu paradigma mantém-se alicerçado no trabalho e criatividade genial de Bush, Engelbart, Sutherland e tantos outros que, cada um à sua medida, contribuíram para fazer de um futuro sonhado a nossa realidade. Mas o que virá por aí? Continuaremos a apontar e clicar? A martelar teclas? A interpretar ícones e botões? Não temos a resposta, mas temos neste espantoso vídeo uma espectacular visão de um futuro possível para as interfaces gráficas.
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