| Na década de 80 do novecentos, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) deu grande importância à preservação do patrimônio arquitetônico, ao lado de suas tradicionais preocupações ligadas ao exercício profissional. Vivíamos a redemocratização e a nova constituição. Com o nome de ARQUIMEMÓRIA foram realizados dois grandes encontros, um em São Paulo, em 1981, e outro em Belo Horizonte, em 1987, para definir a posição do órgão perante essa questão. Durante os últimos 20 anos, apesar do aprofundamento da discussão desses temas no meio acadêmico, não se deu prosseguimento a uma discussão mais ampla, com a participação de gestores públicos, de arquitetos e da sociedade civil. O fato é que, durante esse período, o Brasil mudou e as políticas de preservação também. A Fundação Nacional Pró-Memória foi dissolvida, mas no âmbito do Ministério da Cultura surgiu o Programa Monumenta, com apoio da UNESCO e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. | O renascido SPHAN (agora IPHAN) ampliou muito suas ações, criando novas áreas de interesse, como a dos bens imateriais, ao tempo que governos estaduais e prefeituras passaram a ter maior presença nos centros e cidades históricas. Surgiram, por outro lado, novos atores e modelos de gestão. Mas há pouca interação entre os três níveis de poder e dos mesmos com as comunidades locais e setor privado. Todas estas mudanças precisam ser avaliadas. A questão patrimonial é fundamental para a sociedade brasileira e, em particular, para os arquitetos, que lidam cotidianamente com o patrimônio construído. A questão afeta os arquitetos duplamente, como cidadãos e como profissionais que planejam, projetam e constroem. Faltam definições, critérios explícitos, políticas claras, linhas de financiamento e sistemas de avaliação e retro-alimentação. Todas estas questões precisam ser debatidas em um novo ARQUIMEMÓRIA. |