As alterações climáticas já estão a afectar profundamente todo o planeta Terra, mas são as populações mais pobres os primeiros alvos a sofrerem consequências preocupantes, pelo facto de terem à partida menor resiliência e estarem mais dependentes e expostos, tanto em termos físicos como em termos de actividades de subsistência, aos fenómenos climatéricos.
O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) confirma cientificamente esta afirmação através do seu ‘III Relatório do IPCC (2001)’, com dados relevantes para a relação entre o aumento das concentração de GEE na atmosfera e o agravamento dos impactes das alterações climáticas, que se manifestam, entre outros, através de um aumento da pobreza. Este relatório confirma que os povos e países mais pobres são os que têm maiores riscos de desastres naturais e consequentes problemas de saúde. O relatório prevê uma subida das temperaturas globais nestas zonas (nomeadamente no hemisfério Sul) que varia entre +0.5°C e +1.7°C até 2050, com amplitude das consequências diferente de região para região.
Em resumo e concretizando, a vulnerabilidade às Alterações Climáticas em países mais pobres implica:
Um aumento do stress aquático e redução na disponibilidade de água potável;
Uma maior ameaça à agricultura e à segurança no fornecimento de alimentos;
Modificações nas fronteiras de diferentes tipos de floresta, ameaças à biodiversidade e implicações adversas para comunidades suas dependentes;
Impactos generalizados nos ecossistemas, no nível da água do mar e na agricultura costeira, nas pescas e na saúde humana;
Um grande aumento das necessidades energéticas e consequente impacto em indústrias sensíveis, com diminuição da segurança na produção e distribuição.
Exigimos:
- que todos os governos assegurem o direito de acesso das pessoas que vivem na pobreza – incluindo povos indígenas – aos recursos naturais e à energia.
- que os países ricos reduzam drasticamente as suas emissões de gases de efeito estufa e invistam recursos adicionais (para além do compromisso de 0,7% para APD) para apoiar países em desenvolvimento na sua adaptação aos efeitos das alterações climáticas.
- que os poluidores paguem pelos seus abusos sobre o clima e o meio ambiente; que a soberania alimentar e o direito à alimentação sejam garantidos; que a produção de biocombustíveis não impeça a produção de alimentos em terras aráveis e não destrua as florestas; que haja financiamento e acesso livre e gratuito a tecnologias que mitiguem as emissões de gases de efeito estufa;
- que o ser humano seja a prioridade, e não o lucro.